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Controle endoscópico da obesidade

Eduardo Moura
Dispositivo acoplado ao intestino ajuda no controle da obesidade e do diabetes

Na foto: Eduardo Moura falou sobre pesquisa com dispositivo que inibe absorção

O professor e diretor do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do Hospital de Clínicas da USP, Dr.Eduardo Hourneaux Guimarães Moura, apresentou um novo dispositivo que, posicionado no intestino, resulta em perda de peso contínua e ganhos consideráveis no controle do diabetes em pacientes obesos.

O equipamento, uma espécie de tubo plástico de 62 centímetros posicionado por uma alça metálica no duodeno até o início do jejuno, foi testado em 78 brasileiros com IMC acima de 40. A pesquisa foi detalhada no 1º Fórum da Obesidade FUGAST, realizado durante a programação da 26ª Jornada de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva, sábado (23/8), no Novotel, em Porto Alegre.

Foi constatada perda de peso de 20%, mas o maior avanço foi verificado em relação ao controle do diabetes. Após 6 meses de uso do dispositivo, 70% dos pacientes tiveram suprimidos os medicamento para diabetes, 15% diminuíram o número de medicamentos ingeridos, 10% reduziram a dosagem mas não o número de drogas, e 5% não tiveram melhoras no diabetes. Segundo o especialista, o tubo impede a absorção dos nutrientes do quimo que deixa o estômago e faz com que ele chegue ao intestino delgado (onde termina o revestimento plástico) com alta concentração, o que estimula a produção de hormônios, entre eles o chamado GLP1 responsável por estimular a produção de insulina e facilitar sua assimilação pelo organismo.

Sobre o uso do balão intragástrico para controle de peso, Moura pontuou que ele deve ser indicado apenas em alguns casos, principalmente quando há necessidade de perda de sobrepeso, tendo em vista que obtém melhores resultados para pacientes com IMC de até 32. O que, segundo ele, traz mais resultado é um trabalho integrado, lembrando que a dieta alimentar casada com a mudança de hábitos resulta no mesmo efeito do uso de balão e dieta, o que torna o processo de reeducação alimentar mais eficiente. "Depois que começamos a fazer um trabalho integrado com psicólogos e nutricionistas reduzimos muito o uso do balão". Há muitos que passam balão a rodo e não acompanham o paciente. "O balão não é o melhor método endoscópico para o controle da obesidade. Quem melhor soluciona o problema é a cirurgia e, mesmo assim, se tem perda de 30% do resultado no longo prazo. Precisa-se pensar em uma solução multidisciplinar."

O especialista ainda citou os novos modelos de balão em pílulas, que poderão ser ingeridos e permanecer por até 3 meses no estômago dos pacientes. Outra novidade é o Elipse, um balão que tem controle feito por ultrassonografia e, em três meses, se rompe e é eliminado pelo organismo.

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